Justiça belga mantém bloqueio do futebol pirata nos resolvedores DNS públicos
Google, Cloudflare e Cisco perderam o recurso contra a ordem belga que obriga resolvedores DNS públicos a bloquear transmissões piratas de futebol. Em 20 de agosto, o presidente do Tribunal de Empresas francófono de Bruxelas rejeitou o cerne da argumentação: resolvedores alternativos podem tecnicamente bloquear domínios, as empresas não demonstraram que o custo seja desproporcional, e o risco de atingir usuários perto da fronteira por erros de geolocalização não muda isso. A ordem, obtida pela emissora esportiva DAZN, mantém a multa de 100.000 euros por dia, agora contada apenas nos dias em que a DAZN transmite partidas ao vivo e limitada a 20 milhões de euros por empresa. O serviço antipirataria belga publicou as regras de aplicação em 7 de setembro e o TorrentFreak as relatou na quinta-feira: até 100 novos domínios por semana, bloqueios ativados 90 minutos antes do apito inicial, cinco dias úteis para os resolvedores carregarem cada atualização. A Cisco informou ao serviço que retirará o OpenDNS da Bélgica pela segunda vez em vez de incorporar isso ao serviço, e diz que vai recorrer.
Em resumo
- O caso começou com o pedido unilateral da DAZN em 25 de março de 2025, dias antes dos play-offs da Jupiler Pro League, e com a ordem de 28 de março de 2025 que nomeava o 8.8.8.8 do Google, o 1.1.1.1 da Cloudflare e o OpenDNS da Cisco ao lado dos provedores. A Cisco saiu da Bélgica em abril de 2025, voltou quando o tribunal suspendeu sua parte em julho de 2025 e agora diz que sairá de novo.
- A lista de bloqueio cresceu de 58 para 258 domínios desde a ordem inicial. A DAZN avisa ao serviço com pelo menos sete dias úteis de antecedência qual rodada quer cobrir; os resolvedores têm cinco dias úteis para aplicar.
- O tribunal derrubou a exigência de redirecionar usuários a uma página de aviso e perdoa "um erro excepcional de geolocalização"; manteve a multa diária e o princípio de que um resolvedor é um intermediário a quem se pode ordenar que filtre.
- Para um espectador belga o mapa mudou: um resolvedor público estrangeiro não contorna mais o bloqueio, restam um resolvedor próprio ou uma VPN, ambos legais. É a mesma camada que o novo projeto de lei americano de bloqueio de sites quer alcançar.
O que o tribunal decidiu
A sentença em si não foi publicada; o que é público é a decisão de aplicação do serviço antipirataria de 7 de setembro, que a resume. Três pontos carregam o peso. Primeiro, o juiz considerou tecnicamente possível que um resolvedor DNS alternativo bloqueie domínios, que era a defesa central das empresas em abril, quando a advogada da Cloudflare chamou as medidas de DNS de "muito específicas" e tecnicamente problemáticas e a Cisco disse que o procedimento "misturou coisas demais". Segundo, as empresas não demonstraram que o custo seria desproporcional. Terceiro, a decisão do serviço explica a lógica: "Impor uma medida de bloqueio aos principais provedores de resolução DNS alternativa ajuda a reforçar a eficácia da ordem de bloqueio imposta aos provedores de acesso", e a combinação visa "desencorajar usuários que buscam acesso a conteúdo ilícito, pois sua experiência como consumidores de partidas de futebol, a cuja transmissão ao vivo são muito apegados, será perturbada". Essa última frase é o princípio de projeto de todo o esquema. Os bloqueios são intermitentes de propósito, ligados uma hora e meia antes do apito inicial para que "os usuários tenham mais dificuldade em antecipar o bloqueio e contorná-lo com antecedência". A ordem cobre competições belgas, incluindo a Jupiler Pro League; a DAZN pode apresentar uma atualização da lista por semana, de no máximo 100 domínios, sem calendário fixo. Os resolvedores têm três meses para cumprir. O tribunal também concedeu duas coisas às empresas: nenhuma obrigação de exibir uma página de aviso, já que isso não pode ser imposto a um resolvedor, e nenhuma multa por bloqueio insuficiente causado por um erro excepcional de geolocalização.
Por que a Cisco sai e Google e Cloudflare ficam
As três empresas combateram a ordem; só uma vai embora. Google e Cloudflare cumpriram a ordem original de 2025 cada uma à sua maneira, negando as respostas para os domínios listados aos usuários que seus sistemas situam na Bélgica, e a nova sentença não muda nada para elas. A posição da Cisco é que o OpenDNS "não permite a implementação de bloqueio seletivo, geolocalizado e dinâmico como exige a ordem", que adicioná-lo "comprometeria o desempenho, a estabilidade e a segurança desse serviço" e que sair do país é a única medida que a empresa é "tecnicamente capaz" de implementar. O serviço aceita a retirada como cumprimento. É a mesma escolha que a Cisco fez na França em 2024, quando um tribunal de Paris ordenou aos grandes resolvedores que bloqueassem piratas esportivos para a Canal+, e em Portugal; o padrão é que a empresa com a menor presença entre consumidores em um país sai em vez de construir a maquinaria. Essa maquinaria é a história. Um resolvedor que geolocaliza suas respostas para um tribunal receberá o mesmo pedido do próximo, e a própria submissão do Google à Comissão Europeia neste verão argumentava que o bloqueio de DNS e VPN é ineficaz e prejudicial justamente porque todo bloqueio é contornado trivialmente e toda camada adicionada quebra algo para outra pessoa. Bruxelas ouviu o mesmo argumento e respondeu que o incômodo é o objetivo.
O que muda para um espectador na Bélgica
Até agora, o contorno padrão de um bloqueio de provedor belga era apontar o roteador ou o telefone para 1.1.1.1 ou 8.8.8.8 e seguir em frente. Essa porta está fechada para os domínios da lista da DAZN, e fecha num calendário feito para ser imprevisível. O que resta não é exótico. Um resolvedor que você mesmo mantém, num servidor doméstico ou numa máquina alugada, responde a partir da raiz e não recebeu ordem alguma; uma VPN leva a consulta DNS e o tráfego para outro país, onde a lista belga não se aplica. Nenhum dos dois é ilegal na Bélgica: a ordem vincula intermediários, não espectadores, e não diz nada sobre VPNs. Vale ver com clareza também o que a ordem protege. Os sites da lista são transmissões piratas; a DAZN pagou pelos direitos e tem o direito de fazê-los valer. O custo do método de aplicação é o que os três resolvedores discutiram e perderam: um tribunal nacional confirmou que pode dizer a um resolvedor global o que responder, e o próprio texto do serviço diz que o objetivo é dificultar a visualização, não fazer as transmissões sumirem. Para quem usa um resolvedor público por razões sem relação com futebol, privacidade, velocidade, filtragem de malware, a lição é que as respostas do resolvedor não são mais apenas uma função da internet. Elas dependem do país em que o resolvedor acha que você está e do que os tribunais dele disseram naquela semana.
O que o tribunal de Bruxelas decidiu?
Como o bloqueio funciona na prática?
O OpenDNS vai sair da Bélgica?
E Google e Cloudflare?
É legal usar VPN ou resolvedor próprio na Bélgica?
• Court Upholds Belgian Pirate DNS Blocking Order, OpenDNS Exit Looms - TorrentFreak
• Tribunal de l'entreprise Bruxelles - Le juge invite Google, Cisco, Cloudflare et DAZN à débattre pour améliorer le cadre légal - Belga via La Libre
• OpenDNS Quits Belgium Under Threat of Piracy Blocks or Fines of €100k Per Day - TorrentFreak