Meta, Google e TikTok processam a Califórnia por proibir feeds a menores de 16 anos
A Meta, a Google e o TikTok apresentaram a 4 de novembro ações separadas em tribunais federais para travar a lei californiana AB 1709 antes de entrar em vigor a 1 de janeiro. A lei proíbe feeds personalizados e reprodução automática a utilizadores com menos de 16 anos, e os pais não podem voltar a ativá-los. As empresas alegam que viola a Primeira Emenda e a Secção 230. Há três meses, as mesmas três perderam a primeira tentativa de bloquear uma lei californiana mais restrita sobre feeds.
Em resumo
- A Google processou em San José, a Meta em São Francisco e o TikTok em Los Angeles. O procurador-geral Rob Bonta é o único réu.
- As multas chegam a 50 000 dólares por cada criança afetada em caso de violação consciente.
- Em agosto, um juiz federal recusou bloquear as regras sobre feeds de uma lei anterior, a SB 976, e chamou ao feed personalizado "apenas um espelho".
- A AB 1709 exige verificar a idade antes de mostrar esse feed a qualquer utilizador na Califórnia, por isso também afeta os adultos.
O que a lei determina
O governador Gavin Newsom assinou a AB 1709 a 10 de setembro. O texto chama "funcionalidades psicologicamente exploradoras" aos feeds viciantes e à reprodução automática e permite ao procurador-geral acrescentar outras por regulamento. Um feed viciante é aquele que ordena as publicações com informação ligada ao utilizador ou ao dispositivo. Ficam fora da definição as mensagens diretas, as pesquisas não guardadas e as publicações pedidas expressamente.
Uma plataforma só pode manter a conta de um menor de 16 anos se essas funcionalidades estiverem desligadas. Caso contrário, tem de apagar a conta e os dados pessoais associados. Podem processar o procurador-geral ou um procurador local, com multas até 50 000 dólares por criança afetada numa violação consciente e até 25 000 por negligência.
O que alegam as empresas
A ação da Meta diz que o estado "não pode, respeitando a Primeira Emenda, sobrepor-se às decisões editoriais da Meta" sobre como organizar publicações de terceiros, noticiou a Reuters. O TikTok escreve que a lei proibiria o seu feed "Para ti" a menores de 16 anos e vai mais longe do que a lei de 2024, porque o consentimento dos pais deixa de contar. As três invocam ainda a Secção 230, o escudo federal das plataformas quanto a conteúdos dos utilizadores, que na sua opinião prevalece sobre a lei estadual.
A Google aposta nos pais. "Leis demasiado amplas como esta estragam os sistemas que criámos para ajudar as crianças a encontrar vídeos de qualidade e adequados à idade", disse um porta-voz.
O autor da lei, o deputado estadual Josh Lowenthal, disse que a ação "sai diretamente do manual da Meta". O gabinete de Bonta disse estar a analisar as ações e que defenderá as leis do estado.
Já perderam a primeira ronda
As mesmas empresas contestaram as regras sobre feeds da SB 976, a Protecting Our Kids from Social Media Addiction Act de 2024. A 5 de agosto, o juiz Edward Davila recusou uma providência cautelar. Um feed criado por um modelo preditivo "não é uma mensagem 'expressiva'; é apenas um espelho que devolve aos utilizadores os seus supostos interesses", escreveu. A 21 de agosto voltou a recusar suspender essas regras durante o recurso, que está agora no Nono Circuito. Notou também que a sua opinião pode mudar depois de o caso ser apreciado por inteiro.
| SB 976 (2024) | AB 1709 (2026) | |
|---|---|---|
| Idade | Menos de 18 | Menos de 16 |
| Consentimento dos pais | Desbloqueia o feed | Não muda nada |
| Restrições | Feeds viciantes, notificações à noite e em horário escolar | Feeds viciantes, reprodução automática, o que for acrescentado por regulamento |
| Em tribunal | Providência recusada, recurso no Nono Circuito | Ações apresentadas, ainda sem decisão |
Esta diferença no consentimento dá às novas ações um argumento que as antigas não tinham: com a SB 976 um pai ainda podia dizer sim, com a AB 1709 ninguém pode. É a nossa leitura, e nenhum tribunal a avaliou ainda.
Porque também afeta os adultos
A verificação de idade da lei não se limita às crianças. A secção 22684 obriga a verificar a idade de um utilizador antes de lhe dar uma funcionalidade viciante, e "utilizador" significa qualquer pessoa residente na Califórnia. Os feeds personalizados são a opção predefinida nestes serviços, por isso uma plataforma que os mantenha para adultos terá de classificar todas as contas.
A primeira via é a Digital Age Assurance Act: a partir de 1 de janeiro de 2027, as aplicações pedem uma faixa etária ao sistema operativo ou à loja de aplicações. Se isso falhar, a plataforma recorre à determinação de idade exigida pela SB 976. As regras propostas em maio para essa alternativa recusariam a idade declarada pelo próprio utilizador e impediriam as plataformas de exigir um documento oficial. O procurador-geral tem até 1 de janeiro para as adotar.
A Electronic Frontier Foundation, que pediu o veto, afirma que a lei "obriga as plataformas a recolher ainda mais informação sobre cada utilizador". O Illinois e Nova Iorque estão a criar as suas próprias verificações de idade, por isso uma decisão aqui será lida muito para lá da Califórnia.
• AB 1709 - California Legislative Information
• Google, Meta, TikTok Sue to Block California Youth Social Media Law - Reuters via Insurance Journal
• Social media giants sue California to overturn law shielding kids 15 and under - The Record
• Google, TikTok And Meta Sue To Block California's Social Media Law - Deadline
• Meta, Google, and TikTok sue California AG over teen social media law - Yahoo News
• Social media giants fail to block California prohibition of addictive feeds for minors - Courthouse News
• California's crackdown on addictive social media feeds for kids will proceed as platforms appeal - Courthouse News
• California Puts Social Media's Youth Feeds on Notice - JD Supra