O CEO da Flock diz à polícia que a contestação às suas câmaras não é real

26.10.2026 4 min 5

Garrett Langley, presidente executivo da Flock Safety, fabricante de leitores de matrículas, disse a chefes de polícia numa sessão privada no domingo, 25 de outubro, que os protestos contra as câmaras da empresa não são reais. A gravação da conferência da International Association of Chiefs of Police (IACP), em Orlando, foi publicada pela 404 Media a 26 de outubro. Nela, Langley diz que as críticas à Flock na internet são sobretudo obra de bots pagos.

«São bots anónimos, portanto não é real», disse Langley. «A atividade artificial gerou atividade espontânea, mas quando olho para os protestos pelo país, são as mesmas pessoas com os mesmos cartazes e a mesma mensagem. Isso não é normal. Não tem nada de espontâneo.»

O que Langley disse sobre os bots

Segundo Langley, alguém pagava pelas publicações virais e depois deixou de pagar. «As conversas sobre a Flock nas redes sociais caíram cerca de 95% desde julho», disse. «Na semana passada, quando a Ucrânia atacou com um drone um centro de dados russo, caíram 50%. Literalmente 50% de um dia para o outro.» Não apresentou provas. A 404 Media lembra que a ideia de que os ataques ucranianos a centros de dados russos reduziram de forma visível a atividade de bots já foi desmentida.

A sessão foi anunciada como uma conversa com o presidente da IACP, David Rausch, diretor do Tennessee Bureau of Investigation, sobre privacidade, transparência e confiança dos cidadãos. Langley contou ainda que a mulher o aconselhou a «nunca pedir desculpa» e que gostaria de «nunca mais falar com a imprensa». Com o aumento das críticas, tinha pedido desculpa publicamente por chamar «organização terrorista» à DeFlock, um projeto voluntário que mapeia as câmaras da Flock. A Flock não respondeu à 404 Media.

A contestação que a Flock desvaloriza

As câmaras da Flock registam a matrícula, a cor, a marca e o modelo de cada carro que passa, com a hora e o local. As polícias clientes podem pesquisar esse registo sem mandado, mesmo muito para lá da sua área: cerca de 80 mil câmaras formam uma rede nacional que agentes de qualquer ponto dos EUA podem consultar, se outros departamentos partilharem os dados.

É desta rede que vêm os casos por trás da contestação. A 404 Media revelou no ano passado que polícias locais faziam pesquisas para o serviço de imigração ICE e que um agente no Texas procurou em câmaras de todo o país uma mulher que tinha interrompido a gravidez sozinha. A NPR noticiou casos de agentes que usavam o sistema para seguir ex-companheiras. Em outubro, um juiz norte-americano considerou inconstitucional uma pesquisa na Flock sem mandado.

A oposição também se vê fora da internet. Segundo a 404 Media, dezenas de cidades cancelaram os contratos com a Flock nos últimos 18 meses. A DeFlock conta mais de 100 cidades que desligaram as câmaras ou deixaram a Flock. Segundo uma contagem da NPR, houve câmaras da Flock vandalizadas em pelo menos 36 estados, e mais de 25 mil pessoas inscreveram-se na semana nacional de ação da DeFlock em agosto. Vários membros do Congresso apresentaram projetos de lei para proibir ou limitar esta tecnologia.

A Flock espera que o debate passe

Langley disse aos chefes de polícia que a empresa está perto do ponto mais baixo. «Sempre que este setor encontra uma ferramenta muito eficaz, tem de passar por um período de debate intenso», disse. «Acho que ainda não batemos no fundo, mas estamos muito perto e prestes a voltar a subir do outro lado.»

Em agosto, a Flock disse ter alterado algumas funções para evitar abusos, incluindo cortar o acesso a agentes que pareçam usar mal a ferramenta. Langley disse então à NPR que quem tem preocupações deve levá-las à câmara municipal. O mapa da DeFlock mostra se há câmaras da Flock na sua rua.

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