Meta diz aos EUA que a sua IA remove em tempo real transmissões piratas de desporto
A Meta informou o governo dos Estados Unidos de que já vigia as transmissões em direto do Facebook com uma ferramenta de IA: deteta transmissões piratas de desporto profissional e remove-as em tempo real, sem esperar pela queixa do titular dos direitos. A empresa descreveu a ferramenta num documento enviado ao Gabinete do Representante Comercial dos EUA (USTR), noticiou o TorrentFreak a 26 de outubro.
O documento é a resposta da Meta na revisão anual dos «mercados notórios» de pirataria e contrafação feita pelo USTR. Vários titulares de direitos tinham mencionado a Meta nas suas contribuições, e a empresa defende que fiscaliza as suas plataformas suficientemente bem para não entrar na lista.
Como funciona o detetor de pirataria com IA da Meta
«Em 2026, criámos e lançámos uma ferramenta avançada de fiscalização com IA que analisa o conteúdo de vídeo, juntamente com outros sinais, para prever se se trata de uma transmissão não autorizada de um evento desportivo profissional», escreve a Meta. Com base nessa previsão, afirma, pode remover a transmissão «antes de ganhar uma audiência significativa e sem que um titular de direitos tenha alguma vez de intervir».
A Meta não explica quais são esses «outros sinais». Noutro ponto da mesma secção, enumera aquilo em que assentam os seus sistemas proativos de direitos de autor: aprendizagem automática, grandes modelos de linguagem, infrações anteriores da conta, palavras-chave associadas à pirataria e informações dos titulares de direitos. O documento não apresenta números: nem quantas transmissões a ferramenta removeu, nem que desportos abrange, nem com que frequência se engana. Também não diz como contestar uma remoção feita por engano.
O que muda para quem usa o Facebook Live
O detetor funciona em conjunto com restrições que se aplicam a todos os que transmitem em direto no Facebook, seja qual for o conteúdo:
- Contas novas: não podem usar o Facebook Live de todo.
- Diretos em simultâneo: a maioria dos utilizadores só pode manter um número limitado de diretos ao mesmo tempo.
- Depois de um bloqueio: a conta cujo direto foi bloqueado perde algumas funções e não pode simplesmente iniciar outro.
- Atraso: o conteúdo em direto pode ser retido durante algum tempo para que as verificações antipirataria terminem antes de o público o ver.
- Alcance: os diretos que parecem violar direitos recebem menos distribuição.
A Meta diz ainda que a maioria das publicações que promovem serviços e dispositivos de streaming ilegais já é removida de forma proativa, antes de qualquer denúncia. Quem pesquisa no Facebook ou no Instagram termos como «firestick loaded» ou «iptv free» vê um aviso sobre pirataria.
Porque é que a Meta não quer entrar na lista de mercados piratas
A maior parte das 24 páginas do documento da Meta trata de produtos contrafeitos. O argumento jurídico é que a lista serve para apontar mercados estrangeiros fora do alcance do governo norte-americano, e que incluir nela uma empresa dos EUA «não tem apoio na lei». A Meta considera enganadoras as contribuições sobre si.
Outras empresas mencionadas pelos titulares de direitos também apresentaram respostas. O serviço de armazenamento na nuvem Mega, apontado pela RIAA, admitiu que, «devido a um erro técnico», o seu sistema de suspensão de infratores reincidentes não funcionou plenamente no quarto trimestre de 2024 e não funcionou de todo no primeiro trimestre de 2025. A Cloudflare repetiu palavra por palavra a objeção do ano passado: usar este processo «para pressionar a Cloudflare e outras empresas de infraestrutura da Internet a tomar medidas que a lei dos EUA não prevê nem exige é um erro e um uso indevido deste importante instrumento comercial».
Essa pressão vai além das redes sociais. Os titulares de direitos usam cada vez mais estas listas contra intermediários: na UE, a LaLiga pediu que quatro grandes serviços de VPN fossem incluídos na lista de vigilância da pirataria, e uma coligação de empresas tecnológicas alerta contra a obrigação de as VPN bloquearem sites piratas. O USTR vai analisar as contribuições e as respostas, e a sua lista de 2026 deverá ser publicada no início do próximo ano.