Ofcom escolhe quatro verificações de idade para proibir redes a menores de 16
O regulador britânico Ofcom explicou como as redes sociais poderão verificar se um utilizador tem pelo menos 16 anos, o limite da proibição que o Governo está a preparar. Numa avaliação publicada a 29 de outubro, o Ofcom aponta quatro métodos que considera suficientemente fiáveis nessa idade: a comparação com um documento com fotografia, os serviços de identidade digital, as verificações com dados bancários e a estimativa da idade pelo rosto. O documento com fotografia está no centro dos quatro, como método em si ou como alternativa de recurso, por isso os adolescentes sem um provavelmente terão de o obter.
Porque é que a lista é mais curta aos 16
O Governo pediu ao Ofcom que definisse o que é uma verificação de idade «altamente eficaz» aos 16 anos. Apresenta-a como uma fasquia mais alta do que os «passos razoáveis» exigidos às plataformas pela proibição australiana. O Ofcom avaliou cada método pela precisão técnica, robustez, fiabilidade e equidade, os mesmos critérios que aplica às verificações aos 18 anos ao abrigo do Online Safety Act. As suas orientações de 2025 listam sete métodos para adultos, mas alguns só funcionam acima dos 18, pelo que para o novo limite ficam quatro.
A estimativa facial é a mais fraca nesta idade. Segundo o resumo da Advanced Television, pode errar por alguns anos perto dos 16, e por isso o Ofcom propõe uma «idade de controlo»: quem a câmara colocar demasiado perto do limite passa a uma segunda verificação, na prática com um documento. As verificações bancárias chegam a mais jovens, já que cerca de 90% dos britânicos de 16 e 17 anos têm conta bancária.
Os adultos também serão verificados
Para manter de fora os menores de 16, uma plataforma tem de confirmar que todos os outros são mais velhos, por isso os adultos também passarão por verificações. Terão mais três opções das orientações atuais do Ofcom para os 18 anos. Alguns poderão evitar uma nova verificação se a plataforma já tiver dados fiáveis sobre a sua idade. O Ofcom afirma que os métodos podem ser usados protegendo a privacidade e cumprindo a lei de proteção de dados, uma parte trabalhada com a autoridade de dados ICO.
A estimativa da idade pelo comportamento não entra na lista como barreira no registo. O Ofcom vê-a como forma de detetar menores de 16 que passaram a verificação, a par de denúncias mais fáceis de contas suspeitas.
O Ofcom conta que haja quem contorne a proibição
O regulador não promete uma proibição infalível. «Devemos esperar que crianças motivadas tentem contornar as restrições», disse a presidente executiva Melanie Dawes, comparando com as leis sobre o álcool, que não acabaram com o consumo por menores. Acrescentou que a proibição pode funcionar se as plataformas fizerem as verificações como deve ser. Nenhuma verificação de idade é totalmente imune a ser contornada, diz o Ofcom, que publicará nos 12 meses seguintes à entrada em vigor um estudo sobre como as crianças contornam as regras.
Nenhum dos resumos publicados diz como o Ofcom trata as VPN. Em julho, o Governo decidiu não as restringir. Os quatro métodos verificam um documento, dados bancários ou um rosto, não a origem de uma ligação.
O que se segue
O Governo prevê apresentar os primeiros regulamentos da proibição antes do fim de 2026, com as restrições em 2027. O plano já permite às plataformas sair da lista redesenhando funcionalidades que o Governo considera inseguras. Quando os regulamentos chegarem ao Parlamento, o Ofcom porá em consulta um projeto de orientações para as plataformas. A responsabilidade pelas verificações continua a ser das plataformas. Num relatório separado do mesmo dia, o Ofcom concluiu que as lojas de aplicações confiam sobretudo na idade que o utilizador escreve, embora estejam por agora fora do Online Safety Act.