Um juiz federal de Nebraska bloqueou o núcleo da lei estadual de verificação de idade em redes sociais poucos dias antes de ela entrar em vigor, considerando que exigir verificação de identidade digital e consentimento dos pais para criar uma conta provavelmente viola a Primeira Emenda.
O que a LB 383 exigia
A Lei de Direitos Parentais nas Redes Sociais de Nebraska, conhecida como LB 383, foi aprovada pela legislatura estadual em 2025 e deveria entrar em vigor em 1 de julho de 2026. A lei obrigaria as plataformas sociais a verificar a idade de cada usuário de Nebraska que tentasse criar uma conta e a obter consentimento expresso dos pais para qualquer pessoa com menos de 18 anos. Uma disposição separada, que obriga as plataformas a fornecer aos pais um painel para monitorar postagens, mensagens e interações de um menor, não foi bloqueada e permanece em vigor por enquanto.
A decisão
Em 27 de junho de 2026, o juiz federal sênior John Gerrard concedeu uma liminar solicitada pela NetChoice, uma associação comercial que representa plataformas como TikTok e Meta, bloqueando as disposições de verificação de idade e consentimento dos pais. Gerrard escreveu que a lei "restringe de forma ampla demais a capacidade dos menores de acessar e participar de discurso protegido, mesmo quando esse discurso não apresenta o risco de dano identificado", e considerou que exigir a verificação da conta antes que alguém possa participar plenamente de toda a gama de atividades expressivas disponíveis nas redes sociais sobrecarrega os direitos da Primeira Emenda tanto dos usuários quanto das plataformas.
Por que a verificação de idade continua perdendo nos tribunais
Nebraska não é um caso isolado. A NetChoice já usou o mesmo argumento da Primeira Emenda para derrubar leis semelhantes de verificação de idade e consentimento parental em Arkansas, Ohio e Louisiana, e sua ação contra Nebraska cita pesquisas que sugerem que quase metade dos menores consegue driblar com facilidade os controles de idade típicos. Tribunais de vários estados chegam à mesma conclusão: obrigar toda uma população a apresentar carteira de motorista, passaporte ou outro documento de identidade só para abrir uma conta em rede social restringe a liberdade de expressão dos adultos muito mais do que protege as crianças, ao mesmo tempo em que cria um novo ponto de concentração de dados de identidade sensíveis.
O quadro mais amplo: controles de idade e identidade digital
A lei de Nebraska faz parte de uma onda mais ampla de legislação estadual que vincula o acesso à internet a uma identificação emitida pelo governo, uma tendência que já se espalhou para além das redes sociais. Utah aprovou a primeira lei estadual dos EUA que visa explicitamente o uso de VPNs como forma de contornar a verificação de idade, e legisladores de Illinois propuseram incorporar controles de idade diretamente nos sistemas operacionais dos smartphones. Grupos de direitos digitais alertam que, uma vez que uma camada obrigatória de identidade existe "pela segurança das crianças", raramente permanece limitada a elas, e cada nova exigência de verificação aumenta o valor das ferramentas de privacidade para adultos que simplesmente querem navegar sem entregar um documento de identidade governamental.
Para os usuários que acompanham essas disputas estado por estado, a conclusão prática continua sendo a mesma que defensores da privacidade repetem há anos: uma VPN ajuda a limitar a quantidade de dados identificáveis que chegam a plataformas e governos, independentemente de uma determinada exigência sobreviver ou não a um desafio judicial.