Outras aplicações do Mac podiam ver os seus separadores partilhados do Safari

17.08.2026 6 min 3

Até ao final de julho, qualquer aplicação no seu Mac podia acompanhar em tempo real os seus grupos de separadores partilhados do Safari: sem pedir autorização, sem aviso do sistema e sem deixar rasto nas definições de privacidade. A Apple corrigiu a falha a 27 de julho no Safari 26.6 e no macOS Tahoe 26.6, e a Positive Technologies descreveu-a publicamente a 17 de agosto. É uma história pequena com uma lição útil, e vale dois minutos da sua noite para confirmar que a correção já está instalada.

6,5pontuação CVSS da falha no Safari
27 de julhoquando a Apple publicou a correção
153vulnerabilidades fechadas na mesma atualização do macOS

O que é um grupo de separadores partilhado

Um grupo de separadores é um conjunto de separadores com nome, e o Safari permite partilhá-lo com outras pessoas. Todos veem a mesma lista, que se atualiza em direto: abre uma página nesse grupo e segundos depois ela aparece no ecrã da outra pessoa. A funcionalidade é mesmo prática para planear uma viagem, comparar preços a dois ou percorrer ligações com um colega, e é por isso que o conteúdo desses grupos costuma ser pessoal.

O que escapava era precisamente essa sincronização ao vivo. A vulnerabilidade, identificada como CVE-2026-43792 com pontuação de 6,5, estava no mecanismo de autorização do Safari: uma aplicação instalada no mesmo Mac podia subscrever as alterações dos grupos partilhados e vê-las chegar, sem que o sistema lhe perguntasse uma única vez se essa aplicação podia mexer nos dados do Safari.

O que outra aplicação conseguia ver e o que não

O alcance importa e é mais estreito do que o título sugere. O que saía era o fluxo de alterações nos grupos de separadores partilhados, ou seja, os endereços que aparecem nos grupos que partilha com alguém. O histórico completo, as palavras-passe guardadas, os dados de formulários e as janelas privadas não faziam parte disto. A Apple descreve o impacto com a fórmula do costume: uma aplicação podia aceder a dados sensíveis do utilizador, corrigido com melhor gestão de estado.

O que torna o caso interessante é a pergunta que não foi feita. No macOS habituaram-no a esperar uma caixa de diálogo: uma aplicação quer os seus ficheiros, a câmara, o ecrã, os contactos. Esse pedido é toda a promessa do modelo de permissões. Aqui não houve pedido, porque a verificação que devia gerá-lo não estava a ser feita. Um programa instalado para algo completamente diferente podia ficar quieto a ler o que você e a outra pessoa abriam.

A segunda falha: identificadores ligados à conta Apple

O mesmo investigador, referido pela Apple como Ilya Andr (andrd3v) e indicado na entrada do Game Center como sendo da Positive Technologies, reportou um segundo problema na mesma ronda de julho. Identificada como CVE-2026-43796 com pontuação de 5,5, permitia a uma aplicação obter identificadores associados à sua conta Apple. Dito assim soa abstrato, mas é a matéria-prima do rastreio entre aplicações: dois programas de programadores diferentes podem cruzar dados e concluir que têm à frente a mesma pessoa, que é justamente o que as regras de rastreio da Apple deviam impedir. Essa foi corrigida de uma vez em toda a gama, incluindo iOS e iPadOS 26.6, macOS Sequoia 15.7.8 e macOS Sonoma 14.8.8.

Verifique em dois minutos

  1. Abra o menu Apple, Definições do Sistema, Geral, Atualização de Software. No Tahoe precisa da 26.6 ou mais recente, e a 26.6.1 também serve. Se a atualização já está à espera, é boa razão para a instalar agora e não no fim de semana.
  2. Se ficou no Sonoma ou no Sequoia, a correção chega à parte, como Safari 26.6. Abra o Safari, o menu Safari e "Acerca do Safari", e compare o número. Se for inferior, a atualização está nesse mesmo ecrã do sistema.
  3. No iPhone e no iPad: Definições, Geral, Atualização de Software; a versão 26.6 ou mais recente cobre a questão dos identificadores da conta.
  4. Já que está no Safari, abra a barra lateral e olhe para os grupos de separadores. Os partilhados têm um ícone de participantes. Clique nele e leia a lista de pessoas: os grupos partilhados costumam sobreviver à viagem ou ao projeto para que foram criados.
  5. Retire quem já não tem nada a fazer ali, ou deixe de partilhar o grupo por completo. Tudo o que abre num grupo partilhado é visto por todos os participantes: é a funcionalidade a trabalhar como foi desenhada, e é a parte de que as pessoas se esquecem.

O que isto não significa. Ninguém andava a ler os seus separadores do banco: as janelas privadas e a navegação normal não entravam aqui. Não há provas públicas de que a falha tenha sido usada contra alguém antes da correção. E nem uma VPN nem a navegação privada teriam mudado alguma coisa, porque os dados eram recolhidos localmente, no próprio Mac, e não da sua ligação.

Porque é que uma falha pequena vale na mesma a sua noite

A mesma atualização do macOS fechou 153 vulnerabilidades de uma só vez. A maioria nunca lhe vai tocar, e algumas explicam exatamente porque é que uma atualização não deve ficar um mês por instalar. Uma verificação de autorização em falta não é um drama por si só, mas é precisamente a fenda que separa um sistema que pergunta antes de uma aplicação tocar nos seus dados de outro que apenas o aparenta.

A versão prática é curta: mantenha o computador numa versão suportada, instale as atualizações de segurança quando saem e não quando calha, e de vez em quando veja quem continua dentro daquilo que partilhou.

Preciso de mudar palavras-passe?
Não. Palavras-passe, dados de formulários e sessões guardadas não estavam abrangidos. Atualizar é a correção completa.
Alguém foi mesmo atacado com isto?
Não há provas públicas de exploração. Foi encontrada por um investigador e comunicada à Apple, que é como deve acontecer.
Devo deixar de usar grupos de separadores partilhados?
Não, mas trate um grupo partilhado como uma sala com outras pessoas lá dentro. Tudo o que abrir ali fica visível para todos enquanto o grupo existir.
Uso Chrome ou Firefox no Mac, isto afeta-me?
A falha do Safari não, é específica da sua função de grupos de separadores. A questão dos identificadores da conta é do sistema, por isso a atualização vale a pena na mesma.

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