O Utah suspende a sua lei VPN, mas só para o dono do Pornhub

06.09.2026 6 min 4

O Utah aceitou não aplicar a parte da sua lei VPN que decide onde está o utilizador, mas apenas a uma empresa. A 4 de setembro de 2026 o departamento de comércio do estado confirmou um acordo com a Aylo Freesites, dona do Pornhub, entregue num tribunal federal: a cláusula de localização presumida da Senate Bill 73 fica sem aplicação à Aylo até que entre em vigor o regulamento do próprio estado ou até que o juiz decida sobre o pedido de providência cautelar da Aylo, o que acontecer primeiro. A imprensa aponta 22 de outubro como limite.

Em resumo

  • É um acordo do estado com uma única empresa, não uma decisão judicial que derrube a lei.
  • Abrange só a Aylo, e apenas enquanto a Aylo mantiver os seus sites bloqueados no Utah.
  • Todos os outros sites abrangidos pela SB 73 continuam expostos, a 2500 dólares por infração.

O que foi suspenso na lei VPN do Utah

A SB 73, formalmente Online Age Verification Amendments, não proíbe VPN. A cláusula contestada diz que uma pessoa fisicamente presente no Utah conta como utilizador do Utah mesmo quando uma VPN, um proxy ou outra ferramenta faz a ligação parecer vinda de outro sítio. É a cláusula de localização presumida, e é a primeira vez que um estado norte-americano escreve o uso de VPN no texto de uma lei em vez de o deixar como lacuna.

O estado foi direto quanto ao alcance estreito da pausa. O comunicado diz: «Este acordo está estritamente limitado à Aylo e depende de a Aylo manter as suas restrições de geobloqueio dentro do Utah». Ou seja, a folga vai para a empresa que já bloqueia por sua conta os visitantes do Utah. A Aylo, por seu lado, disse ao tribunal que considera o regulamento proposto viciado na origem, mas que esta prorrogação lhe permite participar na sua elaboração.

  1. A SB 73 é promulgada, com entrada em vigor prevista para 6 de maio.
  2. A Aylo Freesites e a Aylo Group processam o Utah por causa da cláusula de localização.
  3. As partes acordam que o estado não aplicará essa cláusula à Aylo durante 120 dias, até 3 de setembro.
  4. O juiz David Barlow ouve os argumentos sobre a providência cautelar e não decide.
  5. A divisão de defesa do consumidor propõe o regulamento R152-78B, com comentários até 1 de outubro e entrada em vigor prevista para 8 de outubro.
  6. A pausa é prorrogada, com 22 de outubro ou uma decisão anterior como termo.

O que o acordo não muda

Suspenso

  • A cláusula de localização perante a Aylo
  • Só enquanto a Aylo bloquear o Utah
  • Só até ao regulamento ou à decisão

Continua em vigor

  • O resto da SB 73
  • A aplicação a todos os outros sites
  • 2500 dólares por infração

A lei abrange sites comerciais em que mais de um terço do material é considerado nocivo para menores e obriga-os a verificar a idade dos utilizadores do Utah. A peça de setembro não retira esse dever nem responde à questão constitucional. O pedido de providência cautelar continua nas mãos do juiz Barlow, e o estado continua a redigir o regulamento que dirá como aplicar a cláusula de localização na prática.

A não confundir: um acordo entre duas partes não cria precedente. Se o regulamento entrar em vigor a tempo ou o juiz recusar a providência, a aplicação recomeça sem ser preciso aprovar nada de novo.

Porque a cláusula de localização vai além dos sites para adultos

A cláusula desloca a responsabilidade de forma a chegar aos utilizadores comuns. Um site não vê através de uma VPN, por isso uma regra que o responsabiliza pela localização real dos visitantes empurra-o para uma de duas saídas: verificar toda a gente com mais dureza ou tratar o tráfego de VPN como suspeito e bloqueá-lo. As duas caem em cima de quem liga a VPN pelas razões do costume: na rede de um hotel ou de um aeroporto, na ligação do trabalho, ou simplesmente para manter o operador longe do que lê.

Por isso reagiu não só a indústria para adultos como também quem faz ferramentas de privacidade. Denis Vyazovoy, da AdGuard, chamou às VPN «ferramentas de uso geral para privacidade e segurança», e Gytis Malinauskas, da Surfshark, avisou que a abordagem pode «corroer a privacidade dos utilizadores comuns». O Utah também não está sozinho: outras propostas de verificação de idade esbarram no mesmo problema, e este caso é o primeiro teste do que acontece quando um estado nomeia a ferramenta no texto legal. A lei em si analisámos quando foi aprovada: a primeira lei dos EUA contra as VPN.

Outros estados acompanham o caso por uma razão prática. As leis de verificação de idade já chegaram a tribunais federais noutros sítios e pelo menos uma foi travada antes de poder ser aplicada, por isso quem escreve a versão seguinte espera para ver que redação aguenta. Se o juiz Barlow deixar a cláusula de pé, a frase sobre VPN e proxies passa a ser modelo para a próxima proposta; se a derrubar, os mesmos autores vão procurar como escrever a mesma exigência sem nomear a ferramenta.

Isto quer dizer que a lei VPN do Utah morreu?
Não. É um acordo temporário para não aplicar uma cláusula a uma empresa. A lei mantém-se, o caso está por decidir e o estado ainda está a terminar o regulamento que explica como a cláusula funciona.
Usar uma VPN no Utah passou a ser ilegal?
Não. A SB 73 impõe obrigações aos sites, não à pessoa que usa uma VPN. A cláusula manda um site abrangido tratar um visitante fisicamente presente no Utah como utilizador do Utah mesmo por trás de uma VPN.
Porque é que só a Aylo teve a pausa?
Porque a Aylo é a autora do processo e aceitou continuar a bloquear os seus sites no Utah enquanto o caso decorre. O estado disse que o acordo está estritamente limitado à Aylo, por isso todos os outros sites abrangidos continuam sujeitos à lei.
O que acontece a 22 de outubro?
Até lá a pausa termina, ou antes, se o juiz Barlow decidir sobre a providência ou se o regulamento da divisão entrar em vigor. A partir daí o estado poderá aplicar a cláusula também à Aylo, salvo decisão em contrário do tribunal.

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