A Proton VPN reescreveu o núcleo em Rust: o Stealth chega ao Linux
A Proton VPN trocou o motor dentro das suas aplicações. Antes era o wireguard-go, a implementação de referência em Go; o novo núcleo está escrito em Rust e chama-se Proton Protocols, internamente ProTUN. A sua base é uma biblioteca chamada libpvpnclient, uma implementação de WireGuard independente da plataforma partilhada por todas as aplicações. A mudança está em beta e está a chegar ao Windows, Android, iOS, iPadOS e à aplicação de secretária para Linux.
Porquê reescrever o que funciona
O motor antigo dava-se mal com as linguagens em que as aplicações estão escritas, Kotlin no Android e Swift no iOS, por isso cada plataforma acumulava as suas manias, os seus erros e o seu calendário de lançamentos. Uma biblioteca comum em Rust faz com que uma correção chegue a todo o lado ao mesmo tempo e elimina uma classe inteira de erros de memória que o código em C e em Go permitem, cada um à sua maneira.
É canalização, e é justamente a canalização que decide se um kill switch aguenta no momento em que a ligação cai.
O que o utilizador ganha já
Duas coisas são visíveis. A aplicação de secretária para Linux recebeu o Stealth, o protocolo anticensura do fornecedor, que ali faltava até agora: as notas de lançamento datam-no da beta de 21 de julho. E as aplicações receberam um kill switch avançado, aquele que bloqueia o tráfego enquanto o túnel não está de pé, em vez de apenas voltar a ligar e esperar pelo melhor.
Porque o Stealth conta onde as VPN são filtradas
O WireGuard simples é fácil de reconhecer no tráfego, por isso uma rede que queira bloquear VPN começa por ele. O Stealth embrulha o túnel para que o tráfego deixe de parecer um aperto de mão de VPN. É mais lento do que o protocolo puro e é, ao mesmo tempo, a diferença entre uma ligação que funciona numa rede filtrada e outra que não.
O que ainda não existe
Um componente está a ser apresentado como entregue sem o ser. O Muon, uma camada de rede pensada para esconder as ligações da própria aplicação à sua API de quem observa o seu tráfego, para que nem o pedido de domínio nem o nome do servidor no aperto de mão revelem que fala com uma VPN, é trabalho de base e não uma funcionalidade lançada. O mesmo vale para a criptografia pós-quântica: o novo núcleo é descrito como o alicerce dela, não como a sua entrega. Vale a pena distinguir, porque a pergunta útil a qualquer cliente de VPN é que proteções funcionam hoje.
O que observar
Reescrever a parte por onde passa todo o tráfego é uma mudança séria, e a palavra beta continua a ser a chave. Quando chegarem as versões estáveis, convém verificar o que o utilizador consegue ver sozinho: se o kill switch aguenta numa quebra, se o Stealth atravessa a rede que antes o bloqueava e se a bateria do telemóvel dura o mesmo.