Três falhas em routers TP-Link Archer dão root: atualize já

26.08.2026 4 min 3

A TP-Link divulgou três falhas de segurança de routers nos seus populares modelos Archer, e a pior não precisa de palavra-passe nenhuma. Nos Archer BE800, BE3600 e AX75, um dispositivo da sua rede local pode enviar um pedido armadilhado e executar comandos no router como root, o nível máximo de controlo. Uma segunda falha está na própria função VPN do router. Já há firmware corrigido, por isso a pergunta útil é se o seu router está na lista e se instalou a atualização.

O que fazem as falhas

As três são injeções de comandos: o router não filtra a entrada e acaba por executar comandos fornecidos pelo atacante. Diferem em quanto acesso o atacante precisa.

  • CVE-2026-9254 (a grave). Sem autenticação. Na função de controlo parental dos BE800, BE3600 e AX75, qualquer pessoa na rede local pode injetar caracteres de shell e obter root, sem login. A TP-Link avalia-a em 8,7 (alta).
  • CVE-2026-16348 (a falha do VPN). Na função de ligação VPN do BE800. Exige acesso de administrador e depois deixa o atacante executar comandos root através das definições de VPN.
  • CVE-2026-78541. Uma injeção de comandos armazenada no módulo de controlo parental do BE3600.

Porque um router é o pior lugar para isto

Root no seu router não é como malware num único portátil. O router vê e encaminha todo o tráfego da sua casa, por isso quem o controla pode redirecionar em silêncio o seu DNS para sites falsos, vigiar que serviços usa ou integrar o aparelho numa botnet. É exatamente assim que os routers domésticos se tornam proxies escondidos para crimes de terceiros, algo que explicámos no nosso artigo sobre como verificar se o seu router faz parte de uma botnet. Um servidor VPN no mesmo aparelho só aumenta o risco, porque é o único ponto que já trata do seu túnel cifrado.

O que fazer

  1. Verifique o modelo. O aviso nomeia os Archer BE800 V1, Archer BE3600 V1 e Archer AX75 V1. O seu modelo e versão de hardware estão impressos na etiqueta por baixo do router.
  2. Atualize o firmware. As builds corrigidas saíram: BE800 V1 para 1.4.2 Build 260708, BE3600 V1 para 1.2.6 Build 20260617, AX75 V1 para 1.1.6 Build 260716. Instala-se pela página de administração do router ou pela app Tether.
  3. Desligue o que não usa. Se não precisa de gestão remota, servidor VPN ou controlo parental, desative-os para reduzir a superfície de ataque.
  4. Defina uma palavra-passe de administrador forte. Não a do Wi-Fi, mas a separada que dá acesso ao próprio router, e nunca a deixe no valor de fábrica.
Importante: a pior falha não precisa de palavra-passe, apenas de um ponto de apoio na sua rede local. Esse apoio pode ser um telemóvel com uma app maliciosa ou um aparelho inteligente barato. Ou seja, basta um dispositivo fraco no seu Wi-Fi para entregar o router, por isso corrigir agora importa mesmo que a rede pareça privada.
Isto afeta-me?
Só se tiver um Archer BE800 V1, BE3600 V1 ou AX75 V1. Outros modelos Archer não são citados neste aviso. Confirme o modelo exato e a versão de hardware na etiqueta por baixo do router.
Não uso controlo parental. Ainda assim tenho de atualizar?
Sim. O código vulnerável pode estar acessível mesmo que nunca tenha configurado a função, e atualizar é a única solução fiável. O novo firmware fecha a falha independentemente de como usa o router.
A falha do VPN é tão perigosa como a primeira?
É mais restrita. A CVE-2026-16348 exige primeiro acesso de administrador, por isso o atacante já tem de estar autenticado no router. A falha de controlo parental sem autenticação é a mais urgente das três porque não precisa de credenciais.
Como instalo a atualização?
Aceda à página de administração do router num navegador ou abra a app TP-Link Tether, encontre a secção de firmware ou atualização do sistema e aplique a versão mais recente da lista acima. Reinicie se for pedido e confirme que o número de versão corresponde à build corrigida.

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