O Yandex Pay saiu da App Store: já não há de onde o reinstalar
A 12 de agosto de 2026 a aplicação Yandex Pay desapareceu da App Store russa. As cópias já instaladas nos iPhone continuam a funcionar, mas voltar a instalá-la ou atualizá-la deixou de ser possível: no iOS a App Store é a única fonte de aplicações, e já não está lá. A empresa afirmou que o dinheiro dos utilizadores não foi afetado e pediu que ninguém apague a aplicação do telemóvel.
O que aconteceu exatamente
O Yandex Pay é o serviço de pagamentos do Yandex Bank: cartões, pagamento por QR, prestações. Em julho a aplicação já tinha desaparecido dos catálogos fora da Rússia e o russo era o último. Agora também aí a página devolve erro.
A empresa confirmou a remoção no seu próprio canal, disse que o serviço funciona e aconselhou os donos de iPhone a desligar as atualizações automáticas e a não mexer na aplicação instalada. A versão web abre no Safari e no Android a aplicação continua no Google Play e na RuStore.
Porque é que a Apple o fez
Esta remoção em concreto a Apple não explicou. Explicou a anterior: quando em junho o mensageiro estatal MAX saiu da loja, a empresa disse que cumpre as leis dos países onde opera e que removeu a aplicação ao abrigo das regras de conformidade com sanções, sem dizer quais.
Para o Yandex Pay o motivo provável está documentado. A 16 de junho o Reino Unido sancionou o Yandex Bank, o banco da Wildberries e a seguradora Rosgosstrakh: congelamento de ativos mais proibição de relações de correspondência e de processamento de pagamentos. Uma loja que distribui a aplicação de um banco sancionado e cobra por ela fica com um problema de conformidade em Londres.
- A Apple remove o mensageiro MAX invocando conformidade com sanções. Um dia depois as notificações push deixam de chegar aos iPhone.
- O Reino Unido sanciona o Yandex Bank, o banco da Wildberries e a Rosgosstrakh.
- Todas as aplicações do VK desaparecem da App Store em todo o mundo.
- O Yandex Pay sai dos catálogos da App Store fora da Rússia.
- O regulador antimonopólio russo abre um processo contra a Apple pela falta de pré-instalação da RuStore e do MAX. Coima possível: até quatro mil milhões de rublos.
- O Yandex Pay sai também do catálogo russo.
O que perde mesmo quem tem um iPhone
A perda imediata é pequena, a adiada não é. A aplicação instalada funciona até à primeira avaria: telemóvel novo, reposição, uma atualização do sistema que leve a versão antiga. Depois disso não há caminho de volta, porque não existe uma segunda loja para onde recuar.
As atualizações também acabam, e numa aplicação de pagamentos é o que mais pesa: uma falha deixa de ser corrigida no seu aparelho. E o caso do MAX mostrou que a remoção vai mais longe do que o botão de instalar. Quando uma aplicação sai da loja, a Apple pode revogar os certificados por onde passam as notificações, e as mensagens só chegam quando o utilizador abre a aplicação à mão.
Quando não há loja própria
É aqui que começa a parte estrutural, e pouco tem a ver com uma empresa em particular. Duas empresas americanas decidem o que pode ser instalado em quase todos os telemóveis do mundo. No Android esse poder é brando: há lojas alternativas e há o simples ficheiro APK, e é por isso que o Yandex Pay sobrevive lá. No iOS é absoluto, e um país que não tem sistema móvel nem loja próprios não tem com que responder. A Rússia tem a RuStore, e no iPhone ela não serve de nada porque a Apple não a admite.
Daí a pressão dos dois lados: a Apple remove aplicações para cumprir o direito das sanções, o regulador russo abre um processo porque essas mesmas aplicações não estão pré-instaladas, e o utilizador fica no meio com um telemóvel que perde funções em silêncio.
Não é uma história russa
O mesmo mecanismo foi usado por toda a parte. Em 2017 a Apple retirou centenas de aplicações VPN da App Store chinesa depois de uma exigência de Pequim. Em abril de 2024 o WhatsApp e o Threads seguiram o mesmo caminho na China, de novo por ordem das autoridades. Em 2026 a Índia exigiu ao GitHub a remoção do mensageiro offline Bitchat e deu à plataforma três horas.
O contraexemplo é a União Europeia, onde o Digital Markets Act obrigou a Apple a permitir mercados alternativos e a instalação de aplicações fora da sua loja. Não é um favor a uma aplicação, é a mesma ideia vista do outro lado: a distribuição não deve ter dono único.
A VPN não devolve a aplicação
Vale a pena dizê-lo com clareza, porque o reflexo vai logo para aí. Uma VPN muda a rota do tráfego, não o país da sua conta Apple. O catálogo que vê é decidido pela conta e pelo método de pagamento associado, por isso a aplicação continuará ausente por muito hábil que seja o túnel. A VPN ajuda quando um serviço é bloqueado na rede; aqui a remoção é de outra natureza.
O que fazer agora
- Não apague a aplicação se a usa: no iOS é uma porta de sentido único.
- Desligue as atualizações automáticas dela, para que o sistema não troque por nada uma versão que funciona.
- Ponha a versão web no ecrã principal. Abre como uma aplicação e não depende da loja.
- Tenha um segundo meio de pagamento. A lição deste ano: um serviço preso a uma única loja precisa de um caminho que a contorne.
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