O Tor provou que uma multidão pode financiar a liberdade na Internet: como ajudar
O Tor Project acaba de mostrar que a liberdade na Internet pode sobreviver sem um cheque do governo. A sua primeira ronda de financiamento participativo reuniu mais de 200.000 dólares, e 174.536 foram diretos para dez projetos que combatem a censura e a vigilância. O impressionante é quem pagou: 580 pessoas comuns, doação média de 41 dólares. Se quer que as ferramentas que devolvem as pessoas à Internet sob um bloqueio continuem a funcionar, aqui fica onde e como ajudar, do esforço zero até à sua própria infraestrutura.
Por que o dinheiro da comunidade importa agora
Durante anos, as maiores ferramentas anticensura apoiavam-se num punhado de grandes financiadores, boa parte de programas dos EUA para a liberdade na Internet. Quando esse apoio foi em grande medida cortado em 2025, todo o setor pareceu de repente frágil: umas poucas decisões de orçamento podiam desligar bridges e ferramentas de contorno de que dependem milhões. A Tor realizou a ronda de 19 de maio a 18 de junho de 2026 com financiamento quadrático, um modelo que conta quantas pessoas doam, não quão fundo vai uma única carteira. Um fundo de contrapartida de 115.000 dólares multiplicou depois as pequenas doações. O resultado prova que uma multidão pode manter estas ferramentas vivas sem que um único patrocinador segure o interruptor.
Para onde foi o dinheiro
Os dez projetos financiados são a caixa de ferramentas do dia a dia do contorno e da comunicação segura: Onion Browser, Unredacted, Osservatorio Nessuno, Paskoocheh, OpenArchive, SecureDrop, Ricochet Refresh, OONI, OnionShare e Miaan Group. Uns medem a censura, outros passam ficheiros ou mensagens, outros publicam com segurança a partir de países bloqueados. Apoiá-los é legal: são ferramentas de privacidade e liberdade de imprensa, não uma forma de infringir a lei.
Como ajudar, do mais fácil ao mais prático
- Manter um proxy Snowflake (sem conhecimentos). O Snowflake é uma extensão para os navegadores Chrome e Firefox. Instale-a, deixe-a ligada, e a sua largura de banda livre torna-se, em silêncio, um trampolim para alguém num país censurado alcançar o Tor. Sem configuração, sem risco, sem conta. É a forma mais simples de ajudar hoje outra pessoa a ligar-se.
- Doar dinheiro. Uma vez ou todos os meses em donate.torproject.org. Aceitam-se cartões e cripto (a ronda recebeu BTC, ETH, ZEC, XMR e GLM), e uma adesão paga traz uma receita mensal estável com que o projeto pode planear. Mesmo 5 dólares por mês, vezes uma multidão, é exatamente o que resultou aqui.
- Manter um bridge ou um relay. Se tem um servidor livre ou uma ligação estável, um bridge ou relay Tor acrescenta capacidade real à rede. Exige alguma configuração e largura de banda, e os guias em community.torproject.org acompanham-no. É sobretudo aos bridges que os utilizadores censurados se ligam quando a rede principal está bloqueada.
- Usar as ferramentas e falar delas. Cada pessoa a mais no Tor torna a multidão mais difícil de isolar, por isso só usar o Tor Browser já ajuda. Tal como indicar a amigos e jornalistas o OONI para medir bloqueios, o SecureDrop para denúncias e o OnionShare para enviar ficheiros em privado.
- Apoiar todo o ecossistema. A ronda participativa vive em internetfreedom.torproject.org, onde pode acompanhar a próxima ronda e apoiar vários projetos ao mesmo tempo em vez de escolher só um.
Doe com segurança. As campanhas atraem impostores. Repare na barra de endereço: as páginas verdadeiras do Tor estão em torproject.org e nos seus subdomínios. Não envie dinheiro por um link de um email qualquer, uma mensagem de chat ou um anúncio que promete apoiar o Tor, e nunca introduza os dados do cartão numa página a que chegou por um link. Escreva o endereço você mesmo ou comece em torproject.org.