A Proton VPN dá um IP chinês a partir de Hong Kong

09.09.2026 6 min 6

A Proton VPN acrescentou a China à sua lista de países a 3 de setembro de 2026, e o servidor chinês da Proton VPN não está na China. As notas de lançamento dizem-no sem rodeios: o serviço passa a oferecer servidores de smart routing na China, e a própria documentação indica onde está de facto o equipamento. Para a China, é Hong Kong. O endereço que recebe é chinês, a máquina que trata do seu tráfego não é, e desta vez essa distinção é a notícia inteira e não uma nota de rodapé.

Em resumo

  • As notas de lançamento da Proton VPN registam um novo país em smart routing a 3 de setembro de 2026: a China.
  • A página da Proton sobre Smart Routing aponta Hong Kong como localização física para a China.
  • A função serve para chegar a serviços chineses a partir de fora, não para furar a Grande Muralha digital por dentro.
  • Um IP chinês é raro mas não exclusivo: a Private Internet Access e a CyberGhost também o dão, a partir de servidores fora da China.

O que o Smart Routing faz de facto

A Proton descreve o mecanismo sem rodeios: "Instead of running servers physically inside those countries, we use servers that are, in reality, located elsewhere." A página de apoio traz uma tabela país a país com a localização real do equipamento, e vale a pena consultá-la antes de escolher uma localização. A Índia sai por Singapura. A Rússia sai pela Suécia e pela Estónia. A China, agora, sai por Hong Kong.

A razão está na mesma página: o Smart Routing "allows us to provide VPN access in countries where government censorship and restrictions would otherwise make it impossible (or less secure)." Colocar um servidor físico num país com regras hostis é colocá-lo ao alcance dessas regras. A Proton acrescenta que são máquinas bare metal próprias e por isso "equally secure" face ao resto da rede. A afirmação é sobre o equipamento, não sobre a geografia, e as duas metades contam.

3 de setembroa China entra na lista de smart routing
149países na rede do serviço
20 798servidores em 196 localizações

Quem precisa de um IP chinês

Aqui a procura vai no sentido inverso da história habitual das VPN. Normalmente compra-se um túnel para parecer que se está noutro sítio a partir de casa; isto é para quem está fora da China e precisa de parecer que está lá dentro. As plataformas de streaming, os serviços de música, os jogos e os portais chineses verificam o endereço antes de servir seja o que for e, a partir de um IP europeu ou americano, recusam. Contra a mesma parede batem estudantes, famílias separadas por fronteiras, jornalistas que leem fontes chinesas e empresas que querem ver como o próprio site aparece por lá.

Há um segundo grupo, mais discreto: quem está em Hong Kong e quer um endereço estrangeiro sem pagar em latência. A Proton chama-lhe Smart Routing invertido: o país que aloja o equipamento fica com um IP de fora à velocidade local.

O que isto não faz: não o tira de trás da Grande Muralha digital enquanto está na China. A própria Proton escreve-o na página sobre a China, onde avisa que "no VPN service can guarantee 100% reliability in China" e recomenda instalar a aplicação antes da viagem, ligar o alternative routing e usar o protocolo Stealth. Um endereço de saída chinês é, de qualquer modo, a ferramenta errada para essa tarefa: aponta para dentro da rede censurada, não para fora.

Não é o único fornecedor, mas a lista é curta

Um IP chinês é raro neste mercado porque um servidor físico na China continental ficaria sob as regras chinesas de dados, e isso nenhum fornecedor que vende privacidade quer. O desvio é o mesmo em todo o lado: a máquina fica fora e o endereço é distribuído. A Private Internet Access di-lo abertamente: "you get a China IP address through a server based in a more privacy-friendly location." A CyberGhost descreve "virtual servers for China, safely hosted outside the country." A PureVPN oferece uma localização chinesa na mesma base.

A notícia, portanto, não é que a Proton tenha inventado alguma coisa. É que um fornecedor construído à volta da jurisdição suíça e de engenharia sem registos achou que valia a pena, e documentou onde está o equipamento em vez de deixar o utilizador a adivinhar. O lado técnico do mesmo instinto contámos quando a Proton reescreveu o núcleo da VPN em Rust e levou o Stealth ao Linux.

O que significa para a privacidade

A resposta prática é tranquilizadora e aborrecida: o seu tráfego não atravessa a China continental, logo não fica ali exposto a inspeção nem a regras de conservação. Vai para Hong Kong, com a realidade jurídica que isso traz, assunto à parte que convém pesar se o seu modelo de ameaças for específico. Para os sites que visita, muda apenas o endereço que eles veem.

O contexto mais largo merece ficar à vista. A China complica há anos a vida aos fornecedores de túneis, ao ponto de mandar os operadores desligarem fisicamente a infraestrutura de VPN. Uma localização chinesa virtual existe precisamente porque a verdadeira não é opção para quem quer cumprir o que promete sobre registos. É essa a troca: o utilizador fica com o endereço e o operador mantém o equipamento onde ainda pode dizer que não.

O servidor está mesmo na China?
Não. A documentação de Smart Routing da Proton indica Hong Kong como localização física da entrada chinesa. Recebe um endereço IP chinês, enquanto a máquina que encaminha o tráfego fica fora do continente.
Ajuda-me enquanto estou na China?
Não. Ligar-se a uma saída chinesa deixa-o dentro da mesma rede filtrada onde já está. A orientação da Proton para viajantes é instalar a aplicação antes de chegar, ativar o alternative routing e usar o Stealth, e não promete que aguente.
Outras VPN oferecem IP chinês?
Algumas. A Private Internet Access e a CyberGhost anunciam endereços chineses servidos por máquinas alojadas fora do país, e a PureVPN lista uma localização chinesa na mesma base. Servidores físicos no continente não são oferecidos por ninguém de crédito.
Uma localização virtual é pior do que uma real?
Para a privacidade costuma ser melhor, porque o equipamento fica fora da jurisdição cujo endereço se pede emprestado. O preço é latência e honestidade: o percurso pode ser mais longo do que a bandeira sugere, e por isso um fornecedor que publica as localizações físicas vale mais do que um número alto de países.

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