Irão condena à morte estudante de 23 anos por uma publicação nas redes sociais

14.10.2026 3 min 7

Um tribunal do Irão condenou à morte Najmeh Amini, uma estudante de contabilidade de 23 anos de Mashhad, por causa de uma publicação nas redes sociais. A acusação é de «sabb al-nabi», insulto ao Profeta, crime punível com a pena de morte segundo a lei iraniana. Amini está detida na prisão de Vakilabad, em Mashhad. A sentença não é definitiva: ainda pode ser revista pelo Supremo Tribunal do Irão. As organizações de direitos humanos afirmam que as condenações à morte por blasfémia são raras no Irão e alertam que este caso pode alargar a pena de morte ao que as pessoas escrevem na internet.

Como começou o caso

Amini foi detida pela primeira vez durante os protestos antigovernamentais que abalaram todo o país em janeiro. Terá sido novamente detida em fevereiro, depois de a polícia cibernética do Irão ter vigiado a sua atividade na internet. O diário Khorasan, de Mashhad, noticiou o julgamento.

Em tribunal, Amini disse que escreveu a publicação depois de consumir cogumelos alucinogénios com amigos. O seu advogado classificou-a como «um lapso de língua». Isto tem importância jurídica: o código penal iraniano prevê exceções para palavras ditas em estado de embriaguez, com raiva ou por um lapso de língua. O tribunal rejeitou a defesa. Segundo o Khorasan, o juiz perguntou por que razão ela não tinha insultado a América ou Israel enquanto estava sob o efeito dos cogumelos, e como tinha estado lúcida o suficiente para escolher em que rede social publicar.

Num processo separado, um tribunal condenou-a a 12 anos e seis meses de prisão por agir contra a segurança nacional e difundir propaganda contra o Estado. Os relatos divergem em alguns pormenores. O Khorasan diz que a pena de morte veio de um tribunal criminal, enquanto a agência de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos e citada pela Iran International, descreve um Tribunal Revolucionário e acusações que incluem «insulto a figuras sagradas». Numa mensagem de áudio enviada da prisão, Amini disse que foi condenada à morte a 16 de setembro. «Sou uma jovem inocente com tantas esperanças e sonhos. Sejam a minha voz», disse.

Por que razão as organizações de direitos humanos estão alarmadas

«Condenar à morte uma mulher de 23 anos pelo que expressou nas redes sociais é um desenvolvimento extremamente alarmante», afirmou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor do grupo Iran Human Rights, sediado em Oslo. Recordou que dois homens, Yousef Mehrdad e Sadrollah Fazeli, foram executados por blasfémia em maio de 2023, mas disse que este caso «corre o risco de alargar o uso da pena de morte contra a expressão pacífica na internet». Segundo a contagem do grupo, o Irão levou a cabo mais de 600 execuções este ano. O grupo pede a anulação da sentença e uma moratória das execuções.

O caso insere-se num padrão mais amplo. Desde os protestos de janeiro, durante os quais as autoridades isolaram o país da internet, as organizações de direitos humanos alertam para uma repressão cada vez mais apertada da liberdade de expressão.

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