Piratas tomam apps de alerta da Ucrânia e da Rússia e enviam falsos avisos nucleares

02.11.2026 4 min 4

Com poucas horas de diferença, a 1 e 2 de novembro, piratas informáticos assumiram o controlo das aplicações oficiais de alerta da Ucrânia e da Rússia e usaram-nas para enviar falsos avisos de radiação, ataque químico e ataque nuclear. Na Ucrânia, o alvo foi a «Alerta aéreo» (Povitryana Tryvoha), a aplicação que avisa quando ir para o abrigo. Na Rússia, a aplicação do Ministério das Situações de Emergência. Os dois países garantem que as sirenes e os principais sistemas de alerta funcionaram normalmente. Ninguém provou que os dois ataques estejam ligados.

Ucrânia: radiação, químicos e combates de rua em Kiev

No domingo à noite, utilizadores em Kiev receberam notificações como «Alerta de perigo radioativo em Kiev. Não saiam à rua!» e «Alerta de ataque químico em Kiev. Não saiam à rua!», noticiou a Fox News. Outras mensagens falavam de combates de rua na capital e, em russo, de uma ameaça nuclear do míssil Oreshnik. O mapa online da aplicação mostrava Kiev e outras regiões em alerta nuclear.

A Força Aérea ucraniana escreveu no Telegram que a aplicação «parece ter sofrido influência inimiga» e que não havia ameaça radioativa. O porta-voz Yurii Ihnat disse que os russos atacaram a aplicação durante a noite e que as Forças de Defesa não foram afetadas, segundo a RBC-Ucrânia. Sublinhou que a aplicação não pertence à Força Aérea e é apenas um canal de alerta adicional. Um grupo de piratas russo, Hitcore, reivindicou o ataque e diz ter entrado ao enviar a um administrador um ficheiro malicioso disfarçado de fotografia íntima. Essa versão vem apenas dos próprios piratas, divulgada pela Lenta.ru, e as autoridades ucranianas não confirmaram como os atacantes obtiveram acesso.

A equipa da aplicação confirmou uma «intervenção não autorizada», desligou as notificações e suspendeu o serviço, escreve a Ukrainska Pravda. Segundo a equipa, a aplicação não guarda dados pessoais, por isso não houve fuga. Pediu aos utilizadores que não tocassem em ligações de notificações suspeitas. Por volta das 2 da manhã, os alertas e o mapa voltaram a funcionar em parte, mas a apresentação dos alvos continuou desligada.

Rússia: falsas mensagens de lançamento nuclear em 33 regiões

Poucas horas depois, na madrugada de 2 de novembro, o Ministério russo das Situações de Emergência anunciou que a sua aplicação tinha sofrido um «ciberataque maciço» que permitiu enviar informação falsa à população, noticiou a Interfax. Por volta das 2h45, hora de Moscovo, mensagens sobre um suposto lançamento de ogivas nucleares contra a Rússia apareceram ao mesmo tempo na aplicação e em canais de Telegram do ministério e dos gabinetes de crise regionais, segundo a Lenta.ru, que cita o canal de Telegram «Ostorozhno, Novosti».

Mais tarde, o ministério disse que utilizadores de 33 regiões receberam uma mensagem falsa. Afirma ter detetado o incidente logo nas primeiras mensagens, desligado e isolado os serviços e que vai repor totalmente a aplicação até ao fim do dia, segundo a Interfax. As sirenes, os SMS de alerta e as emissões de rádio e televisão não foram afetados, acrescentou. Não disse quem está por trás do ataque.

Como distinguir um alerta verdadeiro de um falso

Uma aplicação oficial pirateada é mais difícil de detetar do que um SMS de phishing: o aviso chega de uma aplicação em que confia, com o som e o design habituais. Depois do incidente, o Ministério da Transformação Digital da Ucrânia lembrou os canais alternativos, noticia a Ukrainska Pravda. Os conselhos servem em qualquer país:

  • Ative os alertas de emergência integrados do telemóvel: no iPhone, Definições, Notificações e, no fim da lista, «Alertas governamentais». No Android, procure nas definições «Alertas de emergência sem fios» ou «Alertas de emergência», o nome varia consoante a marca. Estes alertas chegam pela rede móvel, não por uma aplicação, e tocam mesmo em modo silencioso.
  • Confirme com uma segunda fonte oficial: sirenes, canais da Força Aérea ou da proteção civil, autoridades locais. Um verdadeiro alerta nuclear ou químico não apareceria numa só aplicação.
  • Não toque em ligações nos alertas: os avisos verdadeiros dizem o que fazer, não pedem para abrir um site, instalar nada ou introduzir dados.
  • Tenha mais do que uma aplicação de alerta: em Kiev, a aplicação «Kyiv Digital» continuou a mostrar os alertas normalmente enquanto a «Alerta aéreo» estava em baixo.

ucrâniarússiaciberataquealertas de emergênciahackersaplicações móveisdesinformaçãophishingcibersegurança

Leia também