A Proton VPN publicou o seu relatorio de transparencia relativo ao primeiro semestre de 2026, e o numero em destaque e um poderoso anuncio a favor do modelo sem registos: de 47 ordens juridicamente vinculativas que exigiam a identificacao de utilizadores da VPN, a empresa entregou dados em exatamente zero delas. Nao porque tenha lutado e vencido 47 batalhas em tribunal, mas porque nao havia nada para entregar. E assim que se parece uma verdadeira politica de nao registo quando enfrenta uma ordem judicial real.
O que diz o relatorio
No relatorio, atualizado a 14 de julho de 2026, a Proton revelou que recebeu 47 pedidos de dados no primeiro semestre do ano. Todos vieram das autoridades suicas e foram aprovados atraves do sistema legal suico, e todos procuravam o mesmo: a identidade de quem estava ligado a um servidor especifico da Proton VPN num momento especifico no tempo. A Proton nao cumpriu nenhum deles. Como a empresa afirma, "a nossa politica rigorosa de nao registo significa que, para comecar, nem sequer armazenamos essa informacao" - por isso, mesmo uma ordem suica valida devolve nada, porque os dados de ligacao simplesmente nao existem.
458 ordens, zero divulgacoes
O numero 47 nao e um caso isolado. Desde 2017, a Proton diz ter recebido 458 ordens juridicamente vinculativas e nunca conseguiu identificar um unico utilizador da VPN, sempre pela mesma razao. Esse historial importa muito mais do que qualquer afirmacao de marketing, porque foi posto a prova por pedidos reais das forcas da lei ao longo de quase uma decada. Foi tambem confirmado em maio de 2026 por uma auditoria independente da empresa de seguranca Securitum, que confirmou que o servico opera de acordo com os seus compromissos declarados de nao registo.
Porque "sem registos" so conta se for real
A razao pela qual isto merece ser noticiado e que nem toda a afirmacao de "sem registos" sobrevive ao contacto com um investigador. Ja cobrimos o caso oposto - uma VPN cujos servidores foram apreendidos e cujos utilizadores foram desanonimizados porque, apesar do marketing, guardava registos em silencio. A licao de ambas as historias e a mesma: uma politica de nao registo vale apenas o que vale a sua arquitetura. Se os dados nunca sao escritos em disco, nao ha nada para apreender, intimar ou fazer vazar. Se sao, a promessa esta a uma ordem judicial de distancia de se quebrar.
O contexto suico
A capacidade da Proton de recusar assenta em parte na lei suica, que nao obriga as VPNs a reter registos de ligacao e a proibe de responder a pedidos estrangeiros que contornem os tribunais suicos. Essa vantagem nao esta garantida para sempre - noticiamos recentemente uma reforma de vigilancia suica proposta que levou a Proton a comecar a mover infraestrutura para o estrangeiro. Por agora, porem, a jurisdicao e o desenho sem registos estao a funcionar exatamente como pretendido, e este relatorio e a prova disso.
O que isto significa para si
Se esta a escolher uma VPN pela privacidade, e este o tipo de prova a procurar: auditorias independentes, uma jurisdicao amiga da privacidade e, idealmente, um registo publico de ordens que nada produziram. Sao esses os criterios por tras da nossa selecao das melhores VPNs sem registos. E se quiser retirar por completo a confianca da equacao, a unica parte que nunca o pode registar e aquela que voce controla - o seu proprio servidor. Seja como for, a conclusao do relatorio da Proton e simples: o verificavel bate o prometido.