Mercado Bitcoin suspende saques após saída de 40 milhões de dólares das suas carteiras

02.11.2026 4 min 3

A Mercado Bitcoin, uma das maiores corretoras de criptomoedas do Brasil, suspendeu depósitos e saques na segunda-feira, 2 de novembro, depois de carteiras ligadas à plataforma terem sido esvaziadas em pelo menos dez blockchains. Segundo rastreadores on-chain, saíram mais de 40 milhões de dólares. A corretora não confirmou nenhum valor. Diz que o incidente foi «identificado e contido com rapidez» e que os clientes não perderam nada, noticiou a CoinDesk. É o segundo grande ataque a uma corretora numa semana, depois da Binance.

Como as carteiras foram esvaziadas

A maior parte do dinheiro saiu entre as 06h19 e as 06h53 UTC, das 03h19 às 03h53 em São Paulo. Carteiras em Ethereum, Solana, Tron, Polygon, Arbitrum, Avalanche, BNB Chain, Stellar e outras redes enviaram os saldos para endereços acabados de criar. Segundo os números divulgados por Pablo Sabbatella, fundador da empresa de segurança Opsek, o atacante ficou com cerca de 2.852 ETH, 106 BTC, 10.700 SOL, 6,7 milhões de XLM, 77.000 AVAX e mais de 200 outros tokens. A empresa de segurança blockchain Hypernative foi das primeiras a assinalar as transferências.

Foram transferências comuns, não a exploração de um contrato inteligente. Quem as enviou conseguia assinar transações a partir das carteiras da corretora, e ainda não se sabe como obteve esse acesso. Ninguém reivindicou o ataque e não há provas públicas que o liguem ao da Binance, que o FBI atribuiu ao grupo norte-coreano TraderTraitor.

O que diz a corretora

Numa publicação no X, a Mercado Bitcoin escreveu que identificou e conteve durante a madrugada um incidente de segurança «em um de nossos sistemas». «Não houve nenhum prejuízo aos clientes», afirmou a empresa, e não houve vazamento de dados de clientes. Depósitos e saques foram suspensos como medida preventiva e o acesso à aplicação também foi suspenso temporariamente, segundo o Money Times. A empresa diz que as suas equipas estão a rastrear os ativos e a trabalhar com as autoridades, sem dizer quais. Mais tarde publicou os endereços de destino do atacante em redes EVM, Bitcoin, Solana, Stellar e Tron, para que outras plataformas os possam bloquear. Não há data para a reabertura.

O presidente executivo da Tether, Paolo Ardoino, disse que a empresa «congelou mais de 4,5 milhões de USDT relacionados com este incidente de segurança», noticiou o crypto.news. Isso cobre apenas uma pequena parte das perdas: ether, bitcoin e a maioria das outras moedas não podem ser congelados por um emissor. A Tether também tem interesse direto no caso: em julho investiu 20 milhões de dólares na Mercado Bitcoin. Fundada em São Paulo em 2013, a corretora tem mais de 4,8 milhões de clientes, segundo a Crypto Briefing. Em agosto, o Banco Central do Brasil anunciou um sistema de alerta em tempo real sobre ameaças cripto, desenvolvido com a Hypernative, e indicou a Mercado Bitcoin entre os participantes previstos. A corretora não disse se o sistema ajudou desta vez.

O que os clientes da Mercado Bitcoin devem fazer

  • Acompanhe as novidades apenas no site oficial da corretora e nas suas contas verificadas. O acesso à aplicação foi suspenso, por isso qualquer «atualização» ou «nova aplicação» enviada por mensagem deve levantar suspeitas.
  • Ignore ofertas de «reembolso», «compensação» ou «verificação de conta». Aos grandes ataques segue-se sempre phishing que aproveita a notícia, e nenhum reembolso verdadeiro pede a sua palavra-passe, um código 2FA ou a frase de recuperação.
  • Quando a aplicação voltar, verifique o saldo e o histórico de operações e confirme que a autenticação de dois fatores e a lista branca de endereços de saque estão ativas.
  • Não se apresse a levantar tudo no primeiro dia: depois de uma reabertura, filas e atrasos são prováveis, e é nesses momentos que costumam surgir contas falsas de «suporte».

É o terceiro ataque a uma corretora em duas semanas. Antes, a indiana CoinDCX primeiro negou e depois admitiu uma perda de 16 milhões de dólares, e a Binance perdeu 6,3 mil milhões. Enquanto as moedas estão numa corretora, as chaves estão com a corretora, e uma falha ou um ataque contra ela passa a ser também um problema seu. Para poupanças de longo prazo, uma carteira física controlada por si é a opção mais segura.

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